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Formas de trajar da mulher burguesa ou casada com lavrador abastado

terça, 04 novembro 2014 | Publicado por Marta Prozil
Nem sempre é fácil escrever acerca dos trajes e do modo de trajar, pois algumas designações podem ser ambíguas, pouco claras ou mal contextualizadas na época. Se é verdade que é possível tipificar muitos dos trajes vianenses e coloca-los em grandes grupos, como os de lavradeira, domingar, mordoma, etc. outros deixam-nos uma larga margem para debate. Falo dos chamados trajes de “morgada” ou meia senhora” resultado das alterações económicas introduzidas no mundo rural em finais do século XIX. Socorro-me novamente de ABREU (2010) para tentar contextualizar esta forma de vestir reveladora de condição social: «O meio rural vianense estava, em meados do século XIX, profundamente marcado por clivagens sociais. A nobreza encontrava-se em processo de extinção. Grande parte das casas nobres tinham-se deixado arruinar, poucos solares apenas mantinham os seus donos ( … ) iam ficando cada vez mais aburguesados mas ainda eram localmente tratados por “fidalgos”. » Nos breves períodos de desafogo económico, esta burguesia rural de finais do século XIX reformou o seu guarda-roupa. O citado autor prossegue: «Eram estes os lavradores e as filhas da burguesia rural constituída pelos mais abastados que teriam confeccionado (ou compraram às tecedeiras da aldeia) um fato de festa e puderam comprar no comércio vianense as fazendas, os lenços, os armures os cetins e os veludos para mandarem fazer um fato de mordoma. (…) As filhas dos “fidalgos” , as “morgadas” compravam no comércio local tecido de lã ou de seda para a confecção duma saia comprida, i.e., também talar, de grande roda e apertada na cintura. Na cabeça punham um lenço de seda, e calçavam chinelas e meias arrendadas. Na mão direita uma saquinha em vez de algibeira e um grande guarda-sol. (…) Os lavradores abastados usavam tecidos melhores, ostentatórios do desafogo económico de que beneficiavam. Por isso, a jaqueta do traje feminino era de tecidos caros, fora do comércio, como armures e cetins, bastante cingida ao corpo. E era decorada com peles, penas, veludos, e guarnições de vidrilhos, fitas, sedas e canutilhos». Para terminar na página web das Cantadeiras do Minho, do Vale do Neiva, encontra-se a seguinte definição para morgada:  “Filha de lavradores abastados, também ela veste de forma mais rica e mais elegante e em algumas circunstâncias, também mais ourada. Ora se apresenta com traje rico com aplicações na casaquinha e na barra da saia e com mais ouro, ora se apresenta com traje de domingar com blusa com aplicações de renda e com menos ouro.” Com base neste apanhado é possível identificar traços e características comuns nestas formas de vestir.  Assim vos deixo com algumas fotos de alguns exemplares que ilustram esta forma de vestir mais abastada… à falta de melhor termo. Fontes: ABREU, Alberto Antunes de - O traje à vianesa e a roupa que vestimos. Viana do Castelo : Junta de Freguesia da Meadela, 2010. Pp. 160-171. Cantadeiras do Vale do Neiva in <www.cantadeirasdovaledoneiva.com/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=59&Itemid=86> 
casaquina de fazenda; Lavradores ricos; saia de fazenda; Traje de meia senhora; Traje de morgada